quinta-feira, 7 de maio de 2015

Agricultura do Capital (Agronegócio) x Agricultura Camponesa.


Recentemente na Câmara dos Deputados, foi aprovada a PL 4148/2008, que retira a obrigatoriedade de informação em rótulos de produtos transgênicos, uma vitória importante do Agronegócio e um retrocesso para sociedade que perde seu direito à informação, porém o tolhimento à informação é só a ponta do iceberg de uma discussão complexa e importante que envolve os paradigmas do agronegócio e os paradigmas da agricultura camponesa e familiar, que permeiam os conflitos pela terra e a justiça no campo.

A luta pela terra é uma disputa de territórios, materiais (meios de produção) e imateriais (cultura e legislação), é uma luta árdua principalmente para aqueles que dispõem de menos recursos, os camponeses, que se organizam em movimentos nacionais tais como: (MST) Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, (CPT) Comissão Pastoral da Terra e (MAB) Movimento dos Atingidos por Barragens, alem de outros com causas especificas como os indígenas e quilombolas, do outro lado deste "campo de batalha" está um poderoso aparato de recursos e capital abundante, o Agronegócio, amparado pelas maiores empresas mundiais produtoras de agrotóxicos: BASF, BAYER, CHEVRON, DOW, DU PONT, MONSANTO... entre outras.

Neste conflito não só está inserida uma questão de justiça social, mas também a questão de saúde pública:
o Brasil se destaca como o maior consumidor mundial de agrotóxicos, de acordo com o estudo Regulation of Pesticides : A Comparative Analysis1, publicado em 2013 pela Universidade de Oxford;
o país consome pelo menos 14 tipos de veneno vetados internacionalmente, banidos pelos riscos à saúde humana de acordo com pesquisa da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), um deles, o Endosulfan, prejudicial aos sistemas reprodutivo e endócrino, aparece em 44% das 62 amostras de leite materno analisadas por pesquisadores da cidade de Lucas do Rio Verde, município ícone do agronegócio e campeã nacional das contaminações por agrotóxicos no país;
dos agrotóxicos proibidos em outros países, ainda estão em uso no Brasil, Tricolfon, Cihexatina, Abamectina, Acefato, Carbofuran, Forato, Fosmete, Lactofen, Parationa Metílica e Thiram. Informações do IG;

de acordo com a pesquisa, cada brasileiro consome em média 5,2 litros desses insumos por ano.
A principal argumentação do Agronegócio é a falácia de que sem alimentos transgênicos e sem os agrotóxicos não haveria alimento em quantidade satisfatória para alimentar o Mundo, e de forma mais barata, como bem disse a atual ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu (PMDB - TO): "pobre tem que comer alimentos com agrotóxico, sim", na época senadora.

Tal argumento de produtividade já se mostra falso e caiu por terra ao observar o gráfico abaixo podemos observar que mesmo com menos incentivos fiscais e com menos território, a Agricultura Campesina produz mais alimentos, emprega mais mão de obra e contribui significantemente na produção Global de alimentos, respondendo com 40%, frente a 60% do Agronegócio.

As vantagens da Agricultura Campesina além de ser mais saudável, podemos destacar o emprego de maior mão de obra , maior diversidade de produção e mais respeito ao meio ambiente.

A Agricultura Campesina apresenta soluções aos problemas apresentados, através da Agroecologia, que discutiremos em próximas publicações de forma detalhada.

A Geografia tem muito a contribuir nesta discussão entendendo os paradigmas apresentados, colocando novas formas de pensar estes problemas e contribuindo com seus conceitos a propor soluções, a divulgação destas informações são de vital importância para evitar o senso comum a respeito das lutas no campo, senso este fortemente influenciado pelo paradigma do Agronegócio que usa de todos os seus recursos para atacarem todas as frentes, tendo como forte aliada a mídia que coloca os movimentos sociais como "marginais".


Loivo Knapp de Almeida

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